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Um Museu a céu aberto em Vitória de Conquista

Por Maria Carla

Na BA-262 estrada Conquista-Anagé, está sendo construído o “Museu de Kard”, será um Centro Cultural que além das esculturas de Allan de Kard, irá também expôr obras de outros artistas que não tenham espaço para divulgar seus trabalhos. É uma área que abrigará um cervo de esculturas a céu aberto idealizado pelo artista plástico Alan de Kard, que tem diversas obras espalhadas pela cidade, principalmente na avenida Olivia Flores. Ele se inspirou no Instituto Inhotim, localizado na cidade de Brumadinho-MG.

Allan Kardec Cardoso Lessa, conhecido como Allan de Kard, seu nome artístico, é itapetinguense, mas adotou Vitória da Conquista como cidade do coração.
Desde cedo despertou para a arte, quando criança não aceitava brinquedos industrializados, ele mesmo criava seus próprios brinquedos. Um deles foi um baralho, que quando já adulto o intitulou “Fragmentos da Infância”, e com o qual se inscreveu e foi aprovado no segundo Salão MAM – Museu de Arte Moderna da Bahia, ficando entre os poucos conquistenses escolhidos para ter suas obras no catálogo do MAM-BA.
Segundo ele, foi a partir daí que se conscientizou do seu potencial artístico, “Se a academia está me entendendo como artista e me premiando, então eu sou artista. A partir daí eu não parei mais.” Afirma.

Allan de Kard tem uma mente fervilhante de ideias, ele está a todo momento criando novas esculturas e trabalhando simultaneamente em cada uma delas. Em visita ao Museu de Kard,
encontramos uma gigantesca pirâmide, uma obra chamada “Ascensão” que trata da evolução humana, do ‘Átomo ao Arcanjo’, “Se você observar, a porta da pirâmide não está no centro propositalmente, porque na ascensão nós estamos em busca da perfeição, e é para que o observador dê vontade de trazê-la para o centro.” Declara.

Existe uma obra que tem 900 metros quadrados, é o “Xadrez Nordestino”, o cangaço versus o Estado. “Do lado do cangaço estão, Lampião e Maria Bonita, são rei e rainha, Antônio Conselheiro é o bispo, o jumento é o cavalo, a torre de Bom Jesus da Lapa é a torre, e os cangaceiros são os peões. E do lado do Estado estão, o governador e a primeira- dama, rei e rainha, Padre Cícero é o bispo, cavalo marinho é o cavalo, o Elevador Lacerda é a torre e os soldados são os peões.” Explica o escultor, que faz uma adaptação do xadrez à nossa história nordestina.

Uma obra enigmática e de cunho social, que o artista dá uma espécie de grito de alerta é sobre as crianças desaparecidas. Essa obra segundo ele vai ser um labirinto, que terá o desenho da sua própria digital, e no percurso serão expostas fotos em cerâmica, das crianças que nunca voltaram para seus lares. Quem entrar no labirinto terá sensações parecidas com as das crianças desaparecidas, essa é a proposta do artista.

“As guardiãs do Tempo” são aquelas estátuas que estão expostas no inicio da Ba-262, de quem está saindo de Conquista, que chamam a atenção de quem passa por lá. É outra obra do artista, um calendário de 1 km e 600 metros, “Trata-se do tempo, que é a matéria-prima mais importante é a mais perecível que a vida nos oferece. São 366 guardiãs do tempo, uma para cada dia.” Afirma.

Quem visita o Museu de Kard fica encantado com tanta criatividade, e também pelo tamanho de muitas esculturas, o que nos leva a refletir sobre vários aspectos. Seu acervo está em cerca de 700 trabalhos, além das esculturas Allan de Kard também tem trabalhos em pintura sobre tela.

Uma importante visão do artista está em pensar Vitória da Conquista como a porta de entrada para a Chapada Diamantina, região que recebe turistas de todo Brasil e do exterior. Seu desejo é colocar a cidade entre esse roteiro turístico, como turismo cultural, tendo em vista que a cidade é um celeiro de artistas. “A visita de estrangeiros na Chapada Diamantina tem crescido exponencialmente, e o poder público pode criar meios pra que Vitória da Conquista entre nesse roteiro

Como o local era um antigo lixão, Allan recolheu uma série de calçados de crianças e adultos, e com eles, vai criar uma obra que ficará na entrada do museu. Se chamará, ‘Em que pé anda?’, é um questionamento sobre onde é que andam aqueles pés e o que teria sido daquelas pessoas de diferentes idades. “E também faz a referência de que se pode transformar. Olha o que foi um lixão e se transformar no luxo do lixo.” Afirma o artista, que possue uma sensibilidade incrível, que vê arte em todo lugar.

 

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