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Carga mental: O que fazer quando um dos parceiros faz todo o trabalho emocional

O trabalho emocional, ou carga mental, é o peso de ter que lidar com quase tudo que acontece em casa – especialmente aquelas tarefas cuja importância ninguém parece reconhecer.

Um dos temas mais recorrentes nos consultórios dos terapeutas hoje em dia é a ideia de trabalhoemocional.

No últimos anos, vários textos sobre este tema viralizaram no Facebook e em outras redes sociais.

O trabalho emocional, ou cargamental, é o peso de ter que lidar com quase tudo que acontece em casa – especialmente aquelas tarefas cuja importância ninguém parece reconhecer.

Coisas como marcar consultas médicas, preparar a lancheira das crianças, ajudá-las com a lição de casa e lidar com crises emocionais (as suas e a dos outros). O termo era originalmente aplicado às interações de trabalho, mas recentemente também é usado no âmbito da casa e da criação dos filhos.

Infelizmente, o trabalho “invisível” de administrar a casa e cuidar do filhos ainda recai de maneira desproporcional nas costas das mulheres. E, em muitos casos, ele se soma às responsabilidades profissionais.

Agora que existe um termo para definir essa questão, os parceiros – e particularmente as mulheres – tendem a falar mais do tema. Kurt Smith e outro terapeuta entrevistados pelo HuffPost afirmaram que essa questão prevalece em relações heterossexuais.

“Lido com isso regularmente”, diz Smith, terapeuta de casais de Roseville, na Califórnia. “Quando pergunto se eles conversaram sobre a divisão da tarefas e das responsabilidades da casa, a resposta é quase sempre ‘não’.”

Por que essa conversa não acontece? Geralmente, o parceiro responsável pelo trabalho emocional está cansado demais e soterrado em obrigações. Quando você faz tudo – resolver brigas dos filhos, cuidar das infinitas tarefas domésticas, marcar médicos, colocar todo mundo na cama ―, não sobra muita energia para outras coisas.

Ainda assim, afirma Smith, “meu conselho é começar a ter esse tipo de discussão. Digo ‘discussão’ porque deve ser um processo contínuo e em constante evolução, não uma única conversa que aconteceu 15 anos atrás”.

Falar é fácil. Pedimos que Smith e outros profissionais detalhassem os conselhos práticos que dão aos casais que os procuram.

Dividimos as recomendações em duas categorias: o que eles dizem para o parceiro exausto e o que dizem para o parceiro que está só “observando” e precisa se esforçar mais.

Casal briga por carga
Casal briga por carga mental.

Conselhos para quem está sobrecarregado

Não ache que o parceiro deva simplesmente ‘entender as coisas’. Vocês terão de conversar.

Num mundo ideal, seu parceiro reconheceria que a casa estaria uma confusão sem você. Eles teriam de se concentrar nas coisas que precisam ser feitas, sem que ninguém pedisse. Mas, no mundo real, você provavelmente terá de mencionar essa divisão desigual do trabalho. (É melhor ter esse tipo de conversa quando vocês estiverem descansados e tiverem um tempo a sós, não depois de um longo dia apagando incêndios no trabalho e em casa.)

“Não ache que seu parceiro deva simplesmente ‘entender’. Diga o que está te incomodando”, diz Smith. “Reconhecer dicas não-verbais não é um ponto forte para muitos homens, porque eles não têm a prática. Mas isso pode ser trabalhado.”

Se ele nunca ouviu falar de “trabalho emocional” e não entende do que se trata, considere usar a definição da escritora Khe Hy: “Tudo aquilo que alguém faz e que não é reconhecido”.

Alicia Clark, terapeuta de Washington, diz que a melhor maneira de abordar o assunto é evitar críticas diretas. Melhor expressar como você se sente quando está sobrecarregado.

“Diga que e sente ansioso, preso, sobrecarregado, preocupado, sozinho, ignorado, invisível, triste ou distante quando tem de fazer tudo sozinho. E que você não quer sentir-se assim”, afirma ela. “Se você acertar o tom da comunicação, o parceiro vai responder com empatia e compaixão.”

Resista à tentação de apontar o dedo. Vocês dois são responsáveis por cair nessa dinâmica.

Sem perceber, vocês podem ter feito um acordo silencioso sobre a divisão de responsabilidades da casa, diz Kathleen Dahlen deVos, terapeuta de San Francisco.

“Para os pais, o acordo inconsciente pode ser: ‘priorizo as necessidades dos meus filhos em relação às do meu relacionamento ou às minhas’”, explica ela. “Em relação ao parceiro, o pensamento pode ser algo como: ‘A carreira do meu parceiro é mais importante que a minha’.”

Muitas vezes, esse acordo silencioso acompanha as linhas de gênero: você pode trabalhar em tempo integral como seu marido, mas isso não importa. O “segundo turno” começa no minuto em que você pisa em casa e as crianças vêm correndo na sua direção.

Para o seu próprio bem-estar, não permita que seu relacionamento caia nessa armadilha.

Pare de fazer tudo. Deixe as coisas saírem do controle para ver o que acontece.

Dar um passo para trás pode ser difícil, mas também pode ser uma ótima maneira de mudar a dinâmica de casa. Veja o que acontece se você parar de cuidar de tudo, por mais aterrorizante que seja a ideia (incluindo notas ruins dos filhos nas provas ou sua casa parecendo algo da série “Acumuladores”).

“Você pode achar que tem de fazer todo o trabalho emocional porque o parceiro não faz ou não quer fazer”, diz Anna Poss, terapeuta de Chicago. “Na realidade, você criou a expectativa de que vai carregar esse fardo e estabeleceu esse papel para você mesmo no relacionamento. Muitas vezes isso passa para o parceiro a mensagem de que eles não devem nem precisam ajudar.”

“Deixar rolar” significa abrir espaço para erros – mas eles servirão de lição. Não subestime a capacidade do seu parceiro de fazer sua parte”, diz Greg Cason, psicólogo de Los Angeles.

“Para que as coisas aconteçam mais rápido, evite reclamar do que seu parceiro está deixando de fazer e simplesmente peça ajuda”, diz Cason. “Aí, o que quer que ele faça, elogie e continue passando mais tarefas para ele.”

Examine por que você se sente responsável por fazer tudo.

Muitas vezes o parceiro que arca com a maior parte do trabalho emocional teve pais em que um deles “compensava” a folga do outro. É um ciclo familiar vicioso. Lembre-se que você não precisa seguir o mesmo caminho, diz Samantha Rodman, psicóloga de North Bethesda, Maryland.

“Você pode estar emulando essa dinâmica inconscientemente e colocando a culpa no parceiro”, diz ela. “Muitas vezes o parceiro se acomoda porque você permite, às vezes porque você espera isso dele. Você o ensina como te tratar.”

Conselho para quem não está fazendo sua parte

Imagine como seria sua vida doméstica se você não tivesse seu parceiro.

Se as coisas funcionam perfeitamente em casa, é difícil entender e apreciar de forma genuína o trabalho emocional que seu parceiro faz no dia a dia. E, se você não se sente pressionado a fazê-lo, será que isso é realmente tão importante?

O trabalho emocional pode ser chamado de “trabalho invisível”, mas preste atenção e os sinais estão por toda parte: as notas que melhoraram porque ela insistiu para que seu filho estudasse mais. As novas lentes de contato que seu filho de 11 anos está usando porque sua mulher marcou a consulta no médico e o levou. O fim de semana na casa dos seus pais que está organizado porque sua mulher preparou tudo, inclusive as malas.

Observe sua casa, considere sua vida familiar e imagine o caos que seria se ela não estivesse cuidando de tudo, diz Cason.

“Quando você se dá conta de que as coisas sairiam do controle, é hora de aceitar que existe um problema e pedir desculpas por não estar sempre presente. Não dê desculpas; pergunte como ajudar. Ainda melhor: seja proativo e divida a carga emocional.”

Não pense: “mas ela é melhor nesse tipo de coisa”.

Não há nada na genética da sua mulher que a torna mais adequada para esse tipo de trabalho. Você tem intuição, empatia e afeto em medidas iguais. Você é capaz de incentivá-la na carreira e de ser o terapeuta quando sua filha de 16 anos termina o primeiro namoro.

“O trabalho emocional é um hábito a ser praticado, não algo que vem naturalmente por causa da personalidade”, diz Poss.

“Se for um hábito novo, leva tempo e um pouco de esforço para que pareça natural”, diz ela. “Mas dividir o trabalho emocional vai trazer mais satisfação no relacionamento para ambos.” 

Preste atenção nas suas contribuições (e existem apps que ajudam!)

Agora que você identificou o problema, pense nas áreas em que você pode contribuir, em casa ou com os filho.

“Pelo menos uma vez por dia pergunte a si mesmo: ‘Como posso ajudar meu parceiro?’, diz Marie Land, psicóloga de Washington. “E, pelo menos uma vez por semana, pergunte como você pode ser útil.”

Existem apps que ajudam a aprender novos hábitos.

Não tenha medo de críticas. Peça feedback e não seja defensivo.

Seu parceiro pode ser crítico na hora de discutir a redistribuição do trabalho emocional. Se for o caso, tenha paciência; provavelmente é ressentimento acumulado. As críticas podem aparecer na hora em que você assume uma das suas novas tarefas. Fique calmo. 

“Se você é o parceiro ‘folgado’, pode ficar frustrado porque às vezes mais atrapalha que ajuda. Não desista”, diz Clark.

Note o progresso que você está fazendo e seja receptivo ao feedback do parceiro. Mas não fique na defensiva nem leve para o lado pessoal.

“Seu objetivo deve ser ouvir”, diz Clark. “Esteja simplesmente disposto a ouvir, a entender seu parceiro. Isso é muito eficaz e é um ótimo primeiro passo para restabelecer conexões e começar a resolver o problema.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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